Rogerinho, capitão do Corinthians Mogi futebol de amputados


Rogerinho, capitão do Corinthians Mogi futebol de amputados


Nosso entrevistado da semana é o responsável pelo time de futebol de amputados de Mogi das Cruzes, Rogerinho R9. Mogiano com 35 anos, Rogerio Rodrigues de Almeida nasceu com malformação congênita em sua perna esquerda. Motivo para desistir do esporte? Nem em pensamento, com 7 anos de idade Rogerinho não perdia os jogos de futebol na escola e passou a frequentar escolinhas de futebol. Sempre junto ao esporte, atualmente é um dos principais batalhadores pela modalidade não apenas em Mogi mas no Brasil inteiro.

Como começou seu interesse pelo esporte, em especial o futebol?
Com 7 anos de idade eu jogava na escola e também passei a frequentar a escolinha de futebol do Campestre mas por causa da deficiência eu apenas participava dos campeonatos internos, mas tinha muita vontade de participar dos campeonatos oficiais. Com 18 anos eu conheci a modalidade de futebol para amputados e em 2007 comecei a participar do time da ADPG, em Praia Grande. Eu ia para o litoral frequentemente para participar dos treinos e jogos, foi um período muito difícil, não tinha condições de custear as despesas e a viagem era muito cansativa, nosso treino era das 12h às 13h então muitas vezes nem dava para almoçar.

Você foi o idealizador do projeto de futebol para amputados em Mogi?
Em 2009 comecei a montar o time de futebol de amputados em Mogi, no começo foi muito complicado pois não tinha muitos atletas e começamos com 6 , mas depois que montamos o site começamos a receber mais pessoas interessadas em jogar conosco. Com o tempo chegaram bastante atletas e tivemos que montar os dois times, que são o SMEL Mogi e o Instituto Só Vida. Não achava justo quando tínhamos campeonato para participar, ter que deixar algum atleta sem poder jogar então resolvemos montar dois times com nomes diferentes e focos diferentes também, o SMEL Mogi para alto rendimento e o Instituto Só Vida como integração. Os dois times treinam juntos e os atletas que vão ganhando destaque no Instituto acabam vindo também para o SMEL. Nós temos um número muito pequeno  de baixas, de aproximadamente 40 atletas que passaram pelo time em 7 anos de existência apenas 10 saíram.

Quais as dificuldades encontradas no inicio do projeto em Mogi?
Começamos a treinar no Mogi Soccer, depois fomos para o Náutico e depois conseguimos o SESI onde a estrutura melhorou bastante. Hoje treinamos de quarta-feira na UMC das 19h às 22h e aos sábados no SESI das 8h30 às 12h. Como não tínhamos apoio financeiro também achava injusto ter que cobrar dos atletas para participar então passei a procurar parcerias e empresas interessadas em ajudar o projeto custeando o transporte e alimentação dos atletas. Por exemplo o professor Benê fez trabalho voluntário por 4 anos se dedicando ao projeto. Mas este esforço valeu a pena pois conseguimos fazer um bom trabalho e hoje somos referência na modalidade em questão nacional, somos a base da seleção brasileira de futebol de amputados já por 2 anos.

Como foi fechar a parceria com o Corinthians?
Depois que montamos o projeto começamos a montar documentários e a fazer exibições em vários lugares. Acreditava que se tivéssemos o apoio de algum clube de camisa, algum clube grande a exposição seria maior e poderia trazer mais benefícios para a modalidade. Tentamos a primeira vez no São Paulo mas não nos deram atenção. Tivemos uma ajuda muito grande do Daniel Tabushi, como o filho dele jogava futsal no Corinthians ele tentou marcar uma reunião para mostrar o projeto e conseguimos fechar a parceria com o clube. Depois disto alguns outros clubes começaram a dar mais atenção, o Audax fechou com o time de Peruíbe e em Goiás o Vila Nova também abraçou a causa. Com a parceria conseguimos realizar o sonho de muitos atletas que se não tivessem a deficiência não teriam tido a oportunidade de jogar por um time grande e ter a oportunidade de também viajar jogando pela seleção brasileira. Mas além do Corinthians também temos o apoio de algumas empresas locais que nos dão o suporte necessário para que os atletas possam se dedicar aos treinos e competições.

Como eram os campeonatos quando você começou a jogar?
Quando comecei a jogar os campeonatos brasileiros, existiam 16 equipes mas sem treinar como é hoje. Por exemplo, eu fazia a inscrição individual e a organização te encaixava num time, jogávamos sem ter entrosamento, sem conhecer nossos companheiros, isto aconteceu no período entre 2001 e 2007. Como a modalidade não é considerada um esporte paraolímpico não temos apoio financeiro do governo e temos que buscar recursos pelo nosso próprio esforço.

Hoje você faz parte da Associação Brasileira de Desporto para Deficiente Físico.
Sou o atual vice-presidente, conseguimos reestruturar a federação e temos o objetivo de crescer para podermos ajudar as outras entidades. Conseguimos também democratizar a seleção de atletas para o time principal dando mais oportunidades para mais atletas, pois agora em todas as competições existe o acompanhamento dos responsáveis pela convocação em busca de novos atletas que estão no nível que a seleção exige. Conseguimos fazer treinos periódicos com os atletas convocados depois dos campeonatos em várias cidades do Brasil. Hoje a base da seleção é nosso time do Corinthians pelos títulos que temos conquistado, temos 6 atletas convocados, temos a filosofia de que para ganhar você tem que treinar.

Participando de campeonatos internacionais você percebe alguma diferença na forma como lidam com a modalidade?
O apoio no exterior é muito maior. Na questão tática os times europeus são muito bem preparados, perdemos campeonatos em que participamos antes por este motivo, mas na questão técnica nós ainda somos melhores. Fomos para o México jogar duas vezes, uma sendo a Copa América e outra no Mundial, na Argentina jogamos a Copa América e também fomos para Angola jogar o Torneio da Amizade com mais 4 seleções africanas na cidade de Luanda.

Existe algum trabalho psicológico aos atletas?
Sim, também temos este trabalho com os atletas, alguns que chegam estão muito frustrados e alguns nem sabem usar direito as muletas, então fazemos toda esta parte de conversar com eles e ensinar gradualmente. Minha esposa fez o estágio da faculdade de psicologia em nosso time e acabou ficando com esta responsabilidade e os atletas têm conseguido crescer com o treinamento. Por exemplo o João Batista que gostava de participar de corridas, depois que passou a ter a deficiência veio participar do projeto e com a evolução dentro do futebol também viu a possibilidade de voltar a correr nas provas. Quem já gostava e praticava futebol antes geralmente vem muito desanimado mas depois percebe que isto não é problema.

Como é o cenário atual brasileiro para o futebol de amputados?
Temos 16 equipes filiadas à ABDF, a maioria no sudeste do Brasil. Temos durante o ano a Copa do Brasil no primeiro semestre e o Campeonato Brasileiro no segundo semestre, também acontece o Campeonato Paulista com a participação de convidados e os treinamentos periódicos da seleção brasileira. Mogi é atualmente o principal polo, pois temos um grande apoio da secretaria de esportes e a intenção é fazermos os campeonatos em locais diferentes mas quando não existe o apoio fazemos aqui mesmo. Queremos que as entidades de todo o Brasil tenha o mesmo patamar que conseguimos com o time de Mogi e também gradativamente melhorarmos as condições dos campeonatos com questões de alojamento e alimentação, mas para tudo isto precisamos de parcerias pois por ainda não sermos considerados uma modalidade paraolímpica não temos este recurso de incentivo vindo do governo.

Qual foi a reação da sua família quando decidiu se dedicar ao futebol?
Tive o apoio total, minha esposa também acabou se envolvendo, meu filho também joga pelo time de futsal do Vila Santista e no CSK.

Emerson Oliveira Por: Emerson Oliveira (FutebolMogiano.Com.br)
Em 06/05/2016

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