O futebol de Mogi das Cruzes ainda tem salvação?


O futebol de Mogi das Cruzes ainda tem salvação?


O jogo do último domingo foi excepcional onde tivemos os 32.262 lugares de nosso estádio municipal tomados por torcedores para assistir ao nosso centenário time da cidade no principal campeonato de futebol do país. Você deve estar achando que estou louco, mas não é bem assim. Os dados acimas são verdadeiros, mas infelizmente não são de nossa cidade. Os dados acima são do centenário time de futebol inglês recém campeão pela primeira vez da Premier League, Leicester City Football Club, time de uma cidade com 330 mil habitantes e que possui um estádio com 32.262 lugares. Nossa cidade, Mogi das Cruzes possui aproximadamente 425 mil habitantes e um estádio de 7.500 lugares, que quase nunca está cheio. A média de público de nossos representantes no principal campeonato estadual deste ano é de 36,5 torcedores do Atlético Mogi e de 246,67 torcedores do centenário União Mogi.

Em conversa com alguns dos representantes das principais agremiações de Mogi das Cruzes, todos deram suas opiniões do que deveria ser feito para que o futebol mogiano tivesse um rendimento maior e produzisse times competitivos na cidade. Participaram desta matéria Marcos Alberto, o Betão, técnico do Dragão Negro, William Casanova do Mogi Esporte Clube, Edilson Vereia do Vila Industrial, Thiago Rodrigues do Tietê Futebol Clube, William Salles da A.A. Comercial, Kiko Miranda da CK Eventos Esportivos, Pauzanias Nogueira, o Foguinho da ADC Vidal, Eduardo Araújo do São Francisco e também Emerson Oliveira do site Futebol Mogiano e C.A. Bandeirante.

Estrutura
A falta de uma estrutura adequada é um dos principais fatores apresentados na opinião dos participantes, Mogi se tornou um grande centro imobiliário e qualquer área disponível logo é transformada em centros de moradia ou comércio. Temos poucos campos disponíveis pelo tamanho da cidade e a grande maioria sem condições adequadas para uso, os poucos centros esportivos que existem estão praticamente abandonados e alguns outros são utilizados durante a semana pelos times profissionais e no final de semana pelos campeonatos amadores, assim acabam não aguentando e o gramado não tem a recuperação necessária. Alguns exemplos apresentados são os campos que existem em várias regiões da grande São Paulo que foram transformados de terrões para campos com gramados sintéticos pois apresentam maior resistência e conseguem suportar o volume de jogos necessários. Para os times não existe o incentivo à criação de novos campos, já que a dificuldade em conseguir uma área disponível é muito grande e para manter uma estrutura necessita um grande investimento, onde a maioria não possui. A criação da ACMC, Associação de Clubes de Mogi das Cruzes, facilitou o diálogo com a Secretaria de Esportes permitindo conhecer o real problema do esporte na cidade. No geral os clubes que possuem campos também devem ter sua parte cumprida pois não adianta apenas ficar cobrando soluções do governo público, cada um deve fazer sua parte procurando melhorar suas estruturas. Foguinho lembra : "Quando vim para Mogi, existiam muitos campos disponíveis para campeonatos, assim existiam muitos e de alto nível. Hoje existem locais muito mal cuidados, temos dois times profissionais que mal tem locais para treinar". 

Futebol de Base
O futebol de base quando bem feito pode trazer excelentes resultados à cidade. Os principais clubes amadores deveriam ter treinamento nas categorias menores, mas para isto é necessário voltar ao item anterior, campo. Existem excelentes trabalhos sendo desenvolvido na cidade mas falta um objetivo em comum, já que a principal porta de entrada para o futebol profissional e de alto rendimento em Mogi praticamente não existe. Os dois times profissionais, quando têm estas categorias, acabam emprestando a camisa para times de outras cidades. Mogi precisa ter um centro de treinamento com foco no alto rendimento, abrindo espaço para atletas locais terem condições de enfrentar o nível mais alto sem sentir muito a diferença, e pra isso é necessário ter o foco em criar condições de fornecer atletas para os times profissionais da região e deixar de desperdiçar grandes valores mogianos que tentam a sorte em outras cidades e estados do Brasil. O maior bem que um clube pode ter são seus atletas e um time que não tem categorias de base própria é um time que sempre vai viver nas mãos de empresários que pouco ligam para o esporte local. A vaidade também deve ser deixada de lado nestas horas. Kiko Miranda enfatiza que "o trabalho de base deve ser unificado mas com cada um mantendo suas características, sendo necessário um trabalho com um objetivo único de preparar o atleta para o nível de alto rendimento". "Hoje temos no time profissional de Mogi uma divisão, nas categorias de base, a equipe sub 12 está na mão de uma pessoa, o sub 14 de outra, o sub 17 em outra diferente, em outra cidade, ou seja as categorias não vão dar sequência de trabalho, nenhum deles serão aproveitados no time profissional", comenta Foguinho.

Futebol Amador
É necessário um esforço maior das entidades envolvidas, muitas vezes a cultura local acaba atrapalhando pois é necessário mudanças e principalmente uma mudança de pensamento nos responsáveis. Existe a limitação que a Liga e a ACMC possuem para conseguirem os locais disponíveis para realizarem os jogos, mas também é necessário uma mudança de comportamento de clubes, torcida e arbitragem. Todos os itens envolvidos devem sempre procurar se desenvolver através de conhecimento, cursos, e estar aberto a mudanças é essencial neste quesito. Mesmo sendo uma área destinada ao futebol amador, ele não deve ser levado de forma amadora, é necessário sempre ter em mente o profissionalismo como foco, assim o resultado pode ser melhor. Hoje não existe uma Liga Municipal de Futebol e a ACMC é limitada ao acesso aos campos pois tudo depende de autorização da Secretaria de Esportes para o empréstimo dos campos para realização dos jogos. A falta de cultura e educação também atrapalha que investimentos cheguem neste sentido. Para um bom futebol existir, as partes envolvidas que são os times, arbitragem, organização, torcida, devem ter a consciência de que devem trabalhar em conjunto procurando ajudar a ter bons campeonatos e com isto naturalmente existirá novos investimentos na área. Também é necessária a atualização no quadro de arbitragem que atuam nos campeonatos de Mogi, com uma reciclagem em participação de cursos, treinamentos, assim os que possuem condições de atuar se mantém atualizados e também é dada a oportunidade para surgirem novos árbitros com qualidade. "É necessário lidar com o futebol amador de forma profissional" destaca Kiko Miranda. William Casanova enfatiza que "Por falta de cultura e por problemas gerados anteriormente estamos prejudicados em relação ao apoio financeiro".

Futebol Profissional
O futebol profissional de Mogi das Cruzes praticamente não existe, são dois times que participam do campeonato Paulista da Segunda Divisão, o que é na verdade um campeonato da quarta divisão do futebol paulista e para categoria sub 23. Uma cidade com a população que possui, a quantidade de empresas que exercem atividades por aqui e possuir apenas um esporte de alto rendimento, que é o basquete, é muito pouco. Uma opinião unânime é que deveria existir apenas um time profissional na cidade e que este time seja realmente profissional, com uma estrutura que permita ter um trabalho de base, com treinamento apropriado, acompanhamento de profissionais médicos e da área de nutrição. Dos clubes atuais, por se tratarem de clubes particulares, o poder público pouco pode fazer neste quesito, já que a prefeitura pode até ajudar mas desde que os clubes estejam em dia com suas obrigações. Temos um time que praticamente ninguém considera sendo da cidade, já que não realiza nenhuma atividade em Mogi, apenas aparece perto de campeonatos e também um que é maior torcida na cidade mas acabou caindo em descrédito por gestões problemáticas e por não aproveitar da melhor forma os atletas que a cidade possui. Atualmente existem clubes amadores com melhores condições que os considerados profissionais. "As equipes profissionais não possuem condições de participarem de um campeonato de ponta, são times sem estrutura" comenta William Sales. "Sou de uma época em que todos queriam jogar pelo União, hoje as coisas são diferentes, precisamos resgatar este sentimento" relembra Edilson Vereia.

Os conteúdos dos tópicos apresentados acima são um resumo do que cada um dos participantes apresentou. Vemos que existe muito pouco interesse no trabalho conjunto, que possa trazer a cidade junto de um único objetivo, o futebol de alta qualidade. Muitas vezes ego e vaidade são colocados à frente do esporte, impedindo que seja dada a sequência necessária. Aos times profissionais consideramos necessário trazer os praticantes do esporte na cidade ao seu lado, para somar forças e não dividir ou criar atritos desnecessários. Sabemos que também não adianta apenas ficar cobrando, de braços cruzados, temos também nossa parte a fazer e cada um fazendo sua parte com vontade, no futuro poderemos ter sim um futebol que Mogi das Cruzes merece.

Emerson Oliveira Por: Emerson Oliveira (FutebolMogiano.Com.br)
Em 01/06/2016

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