Futebol de Jundiapeba passado de geração à geração


Futebol de Jundiapeba passado de geração à geração


Esta semana tivemos dois convidados para nossa entrevista semanal, são membros da família Marcelino, responsáveis pelo time do Jundiapeba Futebol Clube. Nossa conversa foi com Gerson e Anderson Marcelino. Nascido no ano de 1954 em São Paulo, no bairro da Casa Verde, avô coruja de sua neta Giovana, Gerson Marcelino veio para Mogi no ano de 1987, sargento aposentado que teve o futebol em sua vida desde criança, principalmente jogando futsal na ADPM. Anderson jogou muito pelos campos de Mogi, passando pelos times do União e Vila Industrial em suas categorias de base, recém formado em Licenciatura na área de Educação Física, continua seus estudos para conseguir se tornar Bacharel.

Como você começou a se envolver com futebol em Mogi?
Gerson: Entre 1988 e 1989 montamos um time na categoria esporte para jogar nos finais de semana por lazerque se chamava América. Fiquei por 5 anos à frente do time e depois acabei deixando. Na época jogávamos no campo do Estrela e tivemos que deixar o local por causa de reclamações da vizinhança. Eu e o Raul Fran cuidávamos do time mas depois tive que me ausentar por questões de trabalho, comecei a fazer fretes com um ônibus que havia comprado e não tive mais condições de ficar na frente do América, passando a responsabilidade para o Raul. Depois de 1 ano fora me chamaram novamente ao América, por causa de muitas brigas para uso do campo, e para tentar colocar as coisa em ordem.

Como foi o retorno ao América?
Gerson: Depois que voltei, para resolver os problemas de reclamações procuramos um novo local para fazer o campo e encontramos no bairro da Vila da Sorte, onde nós mesmos fizemos tudo, limpamos, colocamos as traves. Achamos melhor também mudar o nome e passamos a usar o nome da localidade passando para Vila da Sorte. O campo é utilizado até hoje onde são realizados os treinos das categorias de base do Jundiapeba e já são aproximadamente 25 anos que cuidamos do campo.

Anderson como e quando você começou a se interessar em ensinar futebol aos garotos do bairro?
Anderson: Desde cedo passei a treinar minha filha Giovana, depois que percebi o interesse dela pelo esporte. Com o tempo montamos o time, na época eram sub 7, a maioria nasceu em 2002 e desde que montamos o time se mantém o mesmo, muito poucos nos deixaram durante todo este tempo. O crescimento do time foi natural, depois que começamos a participar dos campeonatos, muitos garotos começaram a vir jogar conosco e hoje temos mais de 100 atletas divididos em todas as categorias que temos.

Como foi este começo?
Anderson: Nos primeiros campeonatos de futebol de campo, jogamos com o nome do Solazer, por eles terem a filiação à Liga de Futebol de Mogi das Cruzes. Com o final da Liga, decidimos passar a utilizar o nome de Jundiapeba Futebol Clube, como uma forma de homenagear nosso bairro. Fizemos o estatuto, graças ao apoio da advogada de Suzano, Fernanda Santos Siqueira, elegemos nossa diretoria e estamos prestes á registrá-lo. Depois que mudamos o nome conquistamos um enorme apoio dos moradores do bairro, pois Jundiapeba tem muitos times de futebol mas até então nenhum carregava o nome do bairro.

Atualmente como é a estrutura do Jundiapeba Futebol Clube?
Anderson: Quando começamos, eu (Anderson) e o Ralph cuidávamos dos treinos e com o aumento do número de categorias conseguimos colocar mais pessoas de muita responsabilidade para nos ajudar; vieram o Fabio, que cuidava do time de futsal do Pumas e em 2015 o Felipe Tedesco começou a cuidar dos garotos mais velhos.

Pode se dizer que o Jundiapeba existe por causa da vontade de sua filha em jogar futebol?
Anderson: Sim, ele começou e continuou por causa dela. Atualmente além do Jundiapeba ela treina no Centro Olímpico em São Paulo já faz alguns anos. Levei a Giovana para fazer peneira mas na época não havia time na categoria da idade dela e pediram para para que voltássemos em alguns anos. Fizemos a peneira novamente e ela foi aprovada, no primeiro ano ela ficou apenas treinando, no segundo ano conseguiu uma vaga como titular mas jogando na lateral esquerda e depois passou ao ataque, no último ano ela conseguiu a vaga na posição que mais queria, o meio de campo.

Qual o maior objetivo do Jundiapeba no momento?
Gerson: Queremos ter uma área para nosso próprio campo, tentamos várias áreas mas está difícil conseguir liberação, tentamos uma área que pertence à Itaquareia mas ainda não conseguimos. Atualmente no Jundiapeba somos todos voluntários, todo o custo nós mesmos cobrimos e algumas vezes temos que fazer rifas para conseguir recursos para comprar o que precisamos. Comprei uma Kombi para podermos usar no transporte de nossos meninos aos jogos, queremos pelo menos melhorar a estrutura de onde estamos colocando vestiários e água, e conseguindo o material nós mesmos estamos dispostos a fazer este serviço.

Em todos estes anos, qual vocês acham que foi o momento mais marcante?
Gerson: Nossa viagem à Descalvado, onde ficamos por uma semana e o que mais nos impressionou foi o comportamento dos nossos garotos em todos os dias que estivemos na cidade, todos tiveram muita educação, foi um momento que comprovou que nosso trabalho deu algum resultado. Na viagem para Eldorado levamos 80 garotos em dois ônibus, tivemos alguns problemas pois era ainda época de aula e as escolas não haviam sido liberadas para usarmos como alojamento, mas mesmo assim conseguimos chegar na final com nossa categoria sub 13, em que a Giovana jogou apenas na semifinal e final.

E do seu novo trabalho junto com a prefeitura?
Anderson: Iniciamos um trabalho junto com a prefeitura de Mogi na nova praça, onde vamos começar a treinar mais garotos do bairro no novo espaço. Também quero abrir para mais modalidades e os próximos devem ser o futsal e o handbol, também tenho vontade de fazermos algo com o atletismo. Temos como referência o trabalho que o professor Ikeda fez no bairro com o Handbol. Começamos a Copa Jundiapeba na categoria sub 14, depois faremos o sub 12 e também o sub 16.

Qual o maior desafio de vocês neste trabalho junto ao futebol?
Gerson: Nosso maior desafio com certeza é a disciplina dos garotos, pois é um trabalho feito aos poucos, com muita conversa e tenho como exemplo a disciplina que tínhamos no time do América. Conversamos muito com eles para evitar que caiam nas provocações dos adversários, tivemos um caso de um de nossos atletas que era muito explosivo e hoje já consegue se controlar. Este trabalho que estamos fazendo ganhou reconhecimento de todos do bairro, somos muito respeitados por onde passamos. Para manter esta filosofia procuramos escolher muito bem quem vem nos ajudar, por exemplo o Fabio, já fazia um trabalho no futsal e também é professor de música, já o Felipe ama o futebol, seu pensamento moderno se adequou perfeitamente à nossa filosofia e vem trazendo resultados. Queremos também montar um time de futebol feminino. Os garotos seguem o exemplo de seus treinadores e sua maior vitória é seguir bem na vida.

Emerson Oliveira Por: Emerson Oliveira (FutebolMogiano.Com.br)
Em 12/02/2016

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