Foguinho, trinta anos no comando da ADC Empreiteira Vidal


Foguinho, trinta anos no comando da ADC Empreiteira Vidal


De forma direta no que tem de falar, rigoroso pela formação militar, nosso entrevistado da semana necessitaria de páginas e páginas para contar toda sua história com o futebol. Nossa conversa foi com o Sr. Pauzanias Nogueira, muito mais conhecido como Foguinho, personagem importante para o futebol de Mogi das Cruzes e que está há anos no comando das escolinhas de futebol da ADC Vidal.

Nascido em Volta Redonda no ano de 1953, foi o último integrante de sua família a vir para Mogi, onde está desde outubro de 1967. Foram 8 anos dedicados ao Exército Brasileiro, na cidade de Caçapava, período que também serviu para a formação técnica na profissão a que veio a se dedicar durante a maior parte de sua vida.

Como foi seu primeiro contato com o futebol?
Desde criança eu gostava mas não podia praticar o esporte por questões religiosas de minha família. Meu contato mais próximo era quando eu ia para a casa dos meus tios João Batista e Eva, pois lá eu ia assistir aos jogos dele, um médio volante de primeira, e comecei a ter meu primeiro contato. Na casa dele também tive a oportunidade de ir ao cinema e ler revistas, gibi, o que era proibido em minha casa. O contato maior veio no exército mesmo, onde comecei a atuar como monitor e aprendemos muito sobre educação física pois nós é que dávamos as aulas de preparo físico no exército, todo meu conhecimento técnico e prático começou neste época. Por ser autodidata e gostar de ler muito fui aperfeiçoando com o passar dos anos este conhecimento.

Em Mogi, quando você começou a se envolver com o futebol?
Depois que vim do exército comecei a jogar nos times amadores e de empresas de Mogi, participei muito dos Jogos Operários. Joguei pela NGK, Howa, pelos times do Paulistinha, Estrela, Cruzeiro Natal, Vila Suissa, 1º de Setembro, Vila da Prata, neste mesmo período comecei a me interessar pela arbitragem e fiz cursos na Federação Paulista de Futsal onde aprendi muito com Mário Franciscon e com o professor Emídio Marques de Mesquita. Em 84 recebi o convite do presidente do Juventus Mogiano, Jair José de Morais, que foi também o fundador do Juventus, para assumir o time de futsal feminino, que foi minha primeira experiência no comando de um time de futebol. Treinamos na quadra da Policia Militar, na quadra do Corpo de Bombeiros, na escola Sebastião de Castro e também no Centro Esportivo do Socorro. Conseguimos manter o time por mais ou menos 2 anos e depois as atletas foram saindo aos poucos por que casavam, iam trabalhar e depois decidimos parar.



Como foi seu inicio na ADC Vidal?
No mesmo período em que estava no time feminino do Juventus Mogiano, a Vidal tinha comprado a área e pretendia montar o campo, que foi oficialmente criado no dia primeiro de maio de 1986. Na época a única escola na região era o Sebastião de Castro e todos dos bairros vizinhos tinham que estudar nela, mas havia muitas brigas por questões bairristas e uma das idéias de ter o campo e o time era justamente para estreitar o relacionamento entre eles e ver que não precisava ter estas brigas. Na época o campo era bem mais próximo da avenida e de terrão, depois que fizeram o ginásio a área dele diminuiu e mudamos  para os fundos da área.

A familia Vidal sempre foi muito atuante na ADC?
Todos foram muito atuantes, o Antonio Boss Vidal Filho, o sr Nêne, e a Dona Terezinha, os filhos Dante, Luiz e Tadeu. A família inteira foi muito envolvida, tivemos também a ajuda de muitas pessoas como a Vilma Coelho, o Silvio Cancian, Antonio Medina, Mauro Marcatto, Ronaldo Grevi, Edelson Miranda, Professor Benedito, Benjamim, João Carioca, entre muitos outros de enorme importância. Na época tínhamos aulas de reforço que eram na casa da Dona Terezinha, que é na frente do campo e na casa dela também eram servidos os lanches aos garotos. A Das Neves, que era a governanta que lavava nossos uniformes. O Dante e a Marcia que ajudavam a cortar a grama e marcar o campo. Foi um projeto que surgiu pelo sonho de ter a empresa ligada ao esporte e não desapareceu pelo amor. Tenho uma identidade muito grande com ele, a camisa da Vidal é hoje minha segunda pele.


A Copa Vidal surgiu nesta época?
Começamos a trazer times para jogar e depois sentimos a necessidade de fazer campeonatos mais organizados do que os que haviam na cidade. Quando começamos se chamava Copa Dante Jordão Stoppa, este nome foi até 1996 quando passou a ter outros homenageados. Na época tinha o campeonato Mirim do Diário de Mogi que ajudava a formar a base para times muito bons que viriam a jogar os campeonatos infantil, juvenil, juniores e da primeira divisão da Liga Municipal, eram times muito fortes de nível muito alto. Em muitos deles os atletas já tinham o entrosamento por jogarem juntos por mais de 3 anos, e jogando juntos por várias temporadas, já tinham uma forma de jogar definida.



Como são as aulas na ADC Vidal?
Atualmente trabalhamos com alunos de 11 a 14 anos onde além do futebol eles aprendem a se desenvolver socialmente com disciplina, assiduidade. Nosso maior orgulho é ver que pessoas que passaram pela ADC Vidal hoje são pessoas de bem, alguns tiveram oportunidades e seguiram dentro do futebol como o Cacau que está na Europa e o Anderson Marques que está no Red Bull Brasil, alguns se tornaram profissionais ligados ao esporte e outros não. Temos o exemplo de um atleta que veio ficar conosco por um tempo e depois se tornou um grande atleta de natação que é o Caique Aimoré, campeão mundial na modalidade. O Caique tem Mosaicismo Down e ficou por um período conosco, pois na escola ele era excluído das aulas de educação física, não deixavam ele fazer. Aqui iniciamos o trabalho com ele e a cada jogada que ele participava os garotos vibravam  e o incentivavam. Ele veio com 13 anos e ficou até os 16 anos. Estamos agora planejando um novo projeto junto com a Escola de Futebol do Cruzeiro para aulas com atletas a partir de 4 anos; este trabalho pretende formar atletas de um nível maior quando chegarem a ter seus 12 anos e sempre respeitando a morfologia de cada um, é um trabalho a longo prazo.

Você também foi árbitro, nos conte um pouco de sua carreira.
Fiz cursos na Federação Paulista de campo e de futsal, apitei jogos da Liga, Jogos Regionais, Jogos Abertos e parei oficialmente em 2005 no jogo que teve entre Corinthians e ADC Valtra no Nogueirão. Um dos jogos que mais me marcaram foi a final entre Caloi e Eucatex em Indaiatuba, neste jogo fui o assistente número 1, o arbitro Walker Salvador de Oliveira e o assistente número 2, Antonio Carlos Xavier Franco, conhecido como Foguinho Capela, quem fez a locução foi o Osmar Santos, se não me engano foi no ano de 1993. Fiz também muitos bons jogos aqui em Mogi, como finais entre Vila São Paulo e Azulão, jogos decisivos entre Ponte Grande e Comercial. Fui também responsável pela comissão de arbitragem da Liga Municipal mas não fiquei por muito tempo, não aceitava a forma como lidavam, alteravam sempre a escalação que eu montava, tudo por interesses próprios dos responsáveis na época. Por questionar tudo isto fui expulso da Liga.

Mogi das Cruzes passa por um período muito difícil no futebol...
Não só o futebol de Mogi como o futebol brasileiro, hoje é necessário profissionalizar o futebol, chegou a hora de os times de futebol serem empresas com pessoas preparadas e que não usem o interesse próprio para acabarem com os times. Não deve haver a troca de interesses políticos, o esporte deve sempre ser colocado na frente. Hoje não temos mais uma Liga de Futebol, os centros esportivos estão abandonados com pessoas que recebem para cuidar deles e não fazem nada por isto. Mas o problema não é só no futebol mas sim em todas as modalidades esportivas, pois é necessário parar de pagar atleta de fora para jogar representando a cidade nos Jogos Abertos e Jogos Regionais e passar a criar os próprios atletas da cidade. Seria muito bom lembrar da professora Lucila Martins para carregar a tocha olímpica quando passar por Mogi, ela é uma grande batalhadora pelo esporte mogiano, é ícone  da natação de Mogi e merece o reconhecimento.

Suas considerações finais
Acredito que os atletas de base devem deixar de lado a obrigatoriedade de serem campeões, o objetivo nesta fase é a formação, o garoto não deve ser a projeção daquilo que o pai não conseguiu. Precisamos de mais pessoas integras, de caráter e que amem o esporte, independente de sua formação acadêmica.



Emerson Oliveira Por: Emerson Oliveira (FutebolMogiano.Com.br)
Em 22/04/2016

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