Ed Betão, técnico do cinquentão do Dragão Negro


Ed Betão, técnico do cinquentão do Dragão Negro


Nossa conversa desta semana foi com meu amigo Marcos Alberto ou simplesmente Ed Betão, fomos parceiros de time quando jogamos juntos nos times mirim do União e no infantil e juvenil do Vila Industrial. Nascido em Mogi das Cruzes em 1973, viveu durante toda sua vida em Jundiapeba onde também foi o palco de seu primeiro contato com o futebol, nos campinhos de terra, jogando nos finais de semana o dia inteiro. Betão também tentou sua sorte na carreira profissional mas teve que interromper devido á uma lesão. Como técnico foi campeão do Amador do Estado, título que muito poucos tem em Mogi.

Como foi seu primeiro contato com o futebol?
Meu interesse começou na Copa do Mundo de 1982, com a nossa seleção brasileira que era um time que jogava muito bem. Meu primeiro ídolo foi o Careca, um dos maiores camisas 9  que já vi jogar, que era também centro-avante do meu time do coração, o São Paulo. Aqui comecei mesmo a jogar acompanhando meu irmão, que foi jogar no infantil do União e acabei indo junto com ele na categoria abaixo. Depois acabei indo para o Vila Industrial onde joguei no infantil e juvenil dos 15 aos 17 anos, na mesma época também jogava na Hoescht em Suzano.

Você também tentou carreira no futebol profissional.
Um vizinho meu que convidou para fazer teste no São Paulo, até então nem sabia que ele havia sido jogador profissional, morava numa casa muito simples, nem dava para acreditar, ainda mais por ser meu time do coração. Fiz o teste e acabei ficando mas num jogo no time de minha familia no final de semana acabei machucando o joelho, acabei tendo que operar e fui dispensado do time. Durante minha recuperação fiz fisioterapia junto com muitos atletas que eram do profissional como o Raí. Durante o período que fiquei já dormia no alojamento que era no próprio estádio do Morumbi, quando fui dispensado voltei muito desanimado e desisti do futebol, passei a jogar apenas por lazer no time do Marajá, que jogava no campo da Brasil Viscose.

E seu inicio como técnico como foi?
Me chamaram para ser o técnico do Nishimura, fui e acabei gostando muito mais ainda depois que me chamaram para ser o técnico do Dragão Negro na categoria de veterano. Com o Dragão cheguei em 4 finais no período de 8 anos e infelizmente em todos fui vice-campeão. Depois passei a cuidar também do quarentão e cinquentão, também fui para o Juventude onde fui campeão da segunda divisão em 2007. Depois recebi o convite da ADC Valtra para ser o técnico na Taça da Cidade e como o Juventude cogitou de não participar, acabei aceitando e fiquei para o campeonato estadual amador. Antes havíamos enfrentado a Valtra e conseguimos a vaga em cima deles na semifinal para jogar contra o Azulão na final, na época o Azulão tinha a melhor torcida organizada de Mogi, era muito bonito de ver.

E seu tempo na ADC Valtra, como foi a experiência de ser o técnico campeão do estadual?
Havia recebido o convite do Marcelo, comecei na Taça da Cidade de 2008, no ano seguinte fomos vice-campeões da Primeira Divisão da Liga Municipal, mas ganhamos a Taça da Cidade e o Amador do Estado, invicto ainda por cima. Consegui participar da montagem do time e montamos um elenco muito bom, na final foram 13 horas de viagem até São José do Rio Preto que valeram a pena.

Mas um acidente acabou atrapalhando você...
Era dezembro de 2010, não vi nada, só lembro de ter acordado no hospital, depois me falaram que eu havia voado por uma distância muito grande, quem viu o acidente achou que eu tivesse morrido pelo impacto, mas depois me contaram que eu ainda tentei levantar, ainda bem que o resgate chegou muito rápido e nas avaliações iniciais eu tinha quebrado um braço e uma perna, havia bastante sangue porque também havia batido o rosto mas por felicidade, na cabeça não havia acontecido nada. Durante todo este tempo no futebol acabei fazendo amigos por onde passei e um foi muito importante, o Dr Pacheco, ele me viu no corredor naquela situação e conseguiu com que adiantasse minha cirurgia, tive que operar o braço direito e a perna esquerda. Fiquei de cadeira de rodas por 11 meses, foi um período muito difícil, foram os piores dias da minha vida, tinha dificuldade para tomar banho devido aquelas condições e meu filho era muito novo para poder me ajudar.

Como foi seu retorno aos campos?
O Dragão Negro precisava de técnico para o Cinquentão, me chamaram e fui mas precisava ir de cadeira de rodas nos jogos, eles vinham me pegavam e levavam até os campos. Depois fui para o Grêmio Mogiano onde fui campeão da primeira divisão em 2013.

Seu filho também segue seus passos
Com 13 anos, meu filho Rodrigo conseguiu uma vaga no Corinthians, estava firme jogando como titular, ia diariamente para Guarulhos, até no período em que estive de cadeira de rodas alguns amigos iam com ele até os treinos e jogos, mas depois ele recebeu o convite para jogar por um time de Suzano e machucou o joelho em um campeonato que foram disputar, ele havia jogado no primeiro jogo e se machucou no jogo seguinte logo no começo, neste dia também foram olheiros do Grêmio especialmente para ver ele e quando chegaram ele já não estava mais em campo devido á lesão, chorei muito quando soube disto. Ele também teve de operar e ficou por 2 anos sem poder jogar, novamente o Dr Pacheco foi uma pessoa importante para a cirurgia e recuperação dele. O Rodrigo é um aluno muito bom, dedicado nos estudos, tem como objetivo ainda ser jogador profissional.


Emerson Oliveira Por: Emerson Oliveira (FutebolMogiano.Com.br)
Em 29/04/2016

Quem apoia o Futebol Mogiano


Futebol Café Gerenciador online de campeonatos